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Terça-feira, Maio 20

CENTRALISMO. Não coloco em causa a relevância da recuperação urbana Lisboa, mas não percebo em que medida as obras anunciadas têm interesse público nacional tal como é referido no resolução do conselho de ministros:

«(...) 3 - Reconhecer o interesse público nacional das operações de requalificação e reabilitação urbana da frente ribeirinha de Lisboa a realizar pela sociedade referida no número anterior.»
Com anos perdidos por uma regionalização adiada, vivemos num país esmagado pelo peso do centralismo e por um investimento público que sustenta a macrocefalia de Lisboa. Se a requalificação urbana da capital se fizer com apoios significativos do governo, o mínimo que se exige é que a reabilitação da marginal do Douro tenha o mesmo tratamento, para mais numa envolvente que é património da Humanidade. Menos do que isso, como já lembrou Francisco Assis, será totalmente inaceitável para a região.

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# por Tiago Barbosa Ribeiro em 20.5.08 | 3 comentários | Subscrever  Subscreva Del.icio.us Bloglines Kinja Fave this blog

Segunda-feira, Maio 19

Rui RioUM EXEMPLO. Ao receber a equipa do Sporting após a vitória na Taça de Portugal, António Costa deu uma enorme lição a Rui Rio. Sem complexos, reconheceu que «a vitória do Sporting é 'boa para Lisboa' e agradeceu 'tudo o que a equipa fez pela cidade'». Já Rui Rio, obcecado com a imagem pública que construiu no país contra os poderes fácticos do Porto, uma ficção sem igual, continua incapaz de reconhecer o papel do FC Porto na cidade que lhe dá o nome. Recusando a promiscuidade entre futebol e política, o que obviamente ninguém contesta, Rui Rio tem uma atitude completamente provinciana em relação a uma instituição incontornável do Porto. É «só» futebol, evidentemente, mas ninguém pede que seja mais do que isso. Nem menos. Nomeadamente quando essa instituição vence uma Taça UEFA, um campeonato europeu ou vários campeonatos nacionais consecutivos. É certo que esse menosprezo não se limita ao futebol, alargando-se a vários outros sectores onde a «promiscuidade» já não parece incomodar Rui Rio, como é o caso do Teatro Rivoli, mas o FC Porto é a primeira das suas obsessões. Esta noite, António Costa cobriu Rui Rio de ridículo. Será que é desta que o presidente da Câmara do Porto vai abandonar os seus exercícios de sublimação política?

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# por Tiago Barbosa Ribeiro em 19.5.08 | 14 comentários | Subscrever  Subscreva Del.icio.us Bloglines Kinja Fave this blog

Domingo, Maio 18

MODAS. Vítor Constâncio, no Público de ontem (sem link):

«(...) O Governo, aliás, não foi o único alvo de avisos por parte do governador do Banco de Portugal, que se referiu também às propostas de redução do peso do Estado recentemente feitas como uma das "ideias que estão agora na moda" e que "têm grandes limitações". Em particular, Constâncio defendeu que "a ideia de que, reduzindo o peso do Estado, se gasta necessariamente noutras coisas", não é correcta, dando o exemplo dos EUA, que, com um sector público reduzido, acaba por ser o país que mais gasta em saúde, principalmente privada

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# por Tiago Barbosa Ribeiro em 18.5.08 | 0 comentários | Subscrever  Subscreva Del.icio.us Bloglines Kinja Fave this blog

Sábado, Maio 17

JACOBINOS, PÁ. Durante meses, em alguma imprensa e em alguns blogues, registei que Vital Moreira foi sendo identificado como presidente da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República. O próprio negou em várias ocasiões que viesse a ocupar esse cargo, mas os caçadores de conspirações jacobinas não descansaram e Vital Moreira foi «acusado» de dirigir uma liturgia maçónica a propósito das comemorações da República. Sucede que Vital Moreira estava certo: confirma-se que o presidente da Comissão será Artur Santos Silva e Francisco Sarsfield Cabral um dos seus vogais. Haja assunto.

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# por Tiago Barbosa Ribeiro em 17.5.08 | 0 comentários | Subscrever  Subscreva Del.icio.us Bloglines Kinja Fave this blog

OBAMA? Na sua entrevista à RTP, Pedro Passos Coelho afirmou que se identifica mais com Barack Obama nas presidenciais norte-americanas. O candidato mais à esquerda, inequivocamente, de todos os que estão na corrida à Casa Branca. E membro de um partido que tem aprofundado relações com os socialistas europeus. Enfim, nada a acrescentar ao que escrevi aqui e aqui.

:: Adenda :: O debate cordial que tenho mantido com o Vasco Campilho alargou-se ao Luís Novaes Tito. Vale a pena ler os seus comentários, muito especialmente a citação da declaração de princípios do PS.

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# por Tiago Barbosa Ribeiro em 17.5.08 | 2 comentários | Subscrever  Subscreva Del.icio.us Bloglines Kinja Fave this blog

Sexta-feira, Maio 16

MANUELA FERREIRA LEITE. Manuel Ferreira Leite surgiu como a candidata natural da boa moeda no PSD. Em poucas semanas, tudo mudou. A cada dia que passa vamos percebendo que dificilmente conseguirá atingir os mínimos a que se propôs, ou seja, pastorear a transição entre o abalo santanista-menezista e a projecção de Rui Rio depois da derrota eleitoral do PSD nas legislativas de 2009. Manuela Ferreira Leite aparece cansada, sofrível, a cumprir um fado que não é o seu e incapaz de animar as massas macambúzias.

Manuela Ferreira LeiteA candidata adoptou o melhor estilo cavaquista anti-político, não quer sessões com militantes e nas entrevistas que deu não se percebe o que pensa, o que propõe, ao que veio, para onde vai. O passado, para mais um passado de má gestão das finanças públicas, dificilmente chegará para conquistar um partido em estado de sítio. O PSD está sedento de poder e não vai desprezar a oportunidade de apostar num candidato, dos três que contam, que no mínimo não consiga projectar a ilusão de derrotar o PS em 2009. Ferreira Leite, até hoje, ainda não apresentou um argumento -- 1 -- para os portugueses não confirmarem a maioria do PS no próximo ano. É certo que os outros candidatos também não, mas pelo menos não aparecem em público com aquele ar de desânimo e indiferença.

Ferreira Leite tem ainda contra si uma poderosa estratégia de Luís Filipe Menezes e de Santana Lopes, bem mais articulada do que se pensa, que inesperadamente permitiu salvaguardar um capital político que muitos julgavam irremediavelmente perdido. Evidentemente, Luís Filipe Menezes voltará e já poucos no PSD se lembrarão dos motivos que o levaram a deixar a direcção do partido e o desastre que se antevia em 2009. Em pouco tempo, demasiado pouco para quem já devia ter preparado uma alternativa interna realista pelo menos desde 2005, Manuela Ferreira Leite e os seus apoiantes ficaram perdidos e sem estratégia. Têm quinze dias para a fazerem renascer ou serem humilhados pelo próprio partido. Outra vez.

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# por Tiago Barbosa Ribeiro em 16.5.08 | 5 comentários | Subscrever  Subscreva Del.icio.us Bloglines Kinja Fave this blog

Quinta-feira, Maio 15

POLITBURO. Os boliburgueses de Chávez:

«Carlos, responsável por um luxuoso ‘stand’ de automóveis no bairro Las Mercedes, em Caracas, fica bastante corado quando ouve a palavra boliburguês. Estes novos ricos, geralmente empresários ligados à empresa petrolífera do Estado, são sinal de problemas e de muita paciência no atendimento. “É fácil distingui-los. Entram aqui com uma peça de roupa vermelha, normalmente uma boina ou um casaco, e são bastante antipáticos. Outra das características é o facto de nunca perguntarem qual é o melhor carro que temos para vender, mas sim qual é o mais caro”, explica o responsável. (...)»

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# por Tiago Barbosa Ribeiro em 15.5.08 | 4 comentários | Subscrever  Subscreva Del.icio.us Bloglines Kinja Fave this blog

Quarta-feira, Maio 14

DESAFIOS ALGO DESAFINADOS. O Vasco Campilho exaltou-se com este meu post, mas não era caso para tanto. A campanha de Pedro Passos Coelho, enquanto tal, é o que menos me interessa. Na realidade, o que escrevi insere-se numa problematização mais ampla sobre o programa do PSD e a sua incapacidade para se afirmar no campo da direita liberal, que prega mas não pratica. Porque Passos Coelho, que tem mobilizado esse ideário e daí a minha referência inicial, mantém claramente a habitual indefinição ideológica do PSD e em relação a isso o Vasco Campilho não conseguiu obviamente responder.

Direita liberal? Passos Coelho afirma-se como social-democrata, reformista e liberal, o que o coloca bem mais próximo do amplo campo do socialismo democrático do que do liberalismo de direita. E nem pergunto sobre as funções sociais que o próprio Passos Coelho reserva ao Estado (a saber: saúde, educação, segurança social e cultura), porque o Vasco Campilho resume o seu candidato à mitologia da «inércia vs. movimento, passado vs. futuro». Belo debate, sem dúvida. Em relação à incapacidade de Passos Coelho afirmar um programa liberal que distinga uma marca de absoluta ruptura em relação ao PS e reorganize a direita portuguesa, tornando a disputa partidária com a social-democracia/socialista mais clara, isso é que não importa discutir.

Aliás, o Vasco acredita mesmo que o PS tem «uma memória republicana, reviralhista e PRECista», embora tenha sido justamente o PS a lutar por uma democracia liberal antes e depois de 1974. Os seus dirigentes tiveram um papel de relevo na luta contra uma ditadura e impediram outra em 1975. Depois isso, entre outras coisas menores, o PS abriu a Portugal a modernidade europeia. E já mais recentemente teve a oportunidade de arrumar o movimento deixado pelos últimos governos do PSD no país, no caso rumo à paralisia económica e ao aumento do défice público. Mas pronto. O Vasco está em campanha e compreende-se o registo épico desse futuro que, por acaso, até já tem algum passado.

O futuro é agora
«O futuro é agora», slogan da JS nas legislativas de 2005

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# por Tiago Barbosa Ribeiro em 14.5.08 | 3 comentários | Subscrever  Subscreva Del.icio.us Bloglines Kinja Fave this blog

MIGALHAS. Já que é incapaz de ganhar desportivamente, o Benfica prefere jogar na secretaria. Não é que a humilhação seja menor, mas sempre é mais barata.
«O Benfica anunciou que vai pedir à FPF que envie à UEFA a decisão da Comissão Disciplinar da Liga sobre o processo Apito Final, que condena o FC Porto. Segundo o porta-voz do clube da Luz, Ricardo Maia, "o Benfica vai pedir a certidão da decisão à Comissão Disciplinar à Liga e solicitar à Federação que a envie para a UEFA". (...)»

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# por Tiago Barbosa Ribeiro em 14.5.08 | 9 comentários | Subscrever  Subscreva Del.icio.us Bloglines Kinja Fave this blog

E AS MELANCIAS DO REGIME? Parece que Cavaco Silva convocou representantes de juventudes partidárias para uma reflexão sobre o afastamento dos jovens pela política, uma ideia de resto muito discutível, e dizem-me que não convidou a Ecolojovem. Trata-se da estrutura de juventude daquele partido fundado por Zita Seabra onde se reunem estalinistas que se distinguem pela separação do lixo em casa e que impediram, durante vários anos, a implementação do movimento ecologista em Portugal. Não acho correcto este ostracismo.

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Terça-feira, Maio 13

GasolinaO NÃO MERCADO. A gasolina vai voltar a aumentar daqui a poucas horas: trezentos escudos por um litro de gasolina, como diriam os antigos. O que se tem passado com os combustíveis em Portugal é o resultado de um falso mercado, uma encenação de livre escolha que permite a alguns aliarem as vantagens da não fixação de preços no seu sector de actividade às vantagens do monopólio em que desenvolvem o seu negócio. Os consumidores é que não sentem nenhuma delas: o petróleo sobe, os preços sobem; o petróleo desce, os preços sobem. Um responsável da ANAREC considera a situação escandalosa. E é mesmo. Até quando?

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Segunda-feira, Maio 12

GUERNICA. Aqui fica um vídeo que é absolutamente fascinante: a obra Guernica, de Picasso, como nunca antes vista.



(Via Eixo do Mal, na SIC Notícias)

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DISCUTIR IDEIAS PARA O PAÍS. Pedro Santana Lopes no seu blogue:

«Publiquei, há minutos, um comentário de uma Senhora, Ana Narciso, em que diz que perdeu a confiança em mim porque eu teria ido uma vez inaugurar a as instalações de uma Secretaria de Estado em Grândola, chegando numa charrete o que considera impróprio de um Homem de Estado (...)»

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A LIÇÃO DOS AFRICANOS. A imensa costa do continente africano está a viver por estes dias uma história notável que reforça a esperança nas raízes das instituições civis africanas. O navio chinês An Yue Jiang, carregado de armas para o regime de Mugabe, encontra-se há semanas impedido de cumprir a sua missão. Numa intensa campanha coordenada pela Federação Internacional dos Trabalhadores dos Transportes, o navio ainda não conseguiu descarregar as armas e já esteve em Moçambique, na África do Sul, em Angola e dirige-se agora para o Congo-Brazzavile.

An Yue JiangOs africanos dão assim uma poderosa lição de respeito pelos direitos humanos à China, o que não deixa de ser inaugural no quadro das relações dos chineses com a África Austral e da pressão exercida pelo regime comunista sobre países onde tem uma crescente influência económica, mas verdadeiramente notável é que esta acção esteja a ter efeito junto de regimes maioritariamente insensíveis à sociedade civil, de resto pulverizada em quase todo o continente.

Desta vez, algo mexe. A acção organizada dos trabalhadores africanos impediu que as armas chegassem a Robert 'Hitler' Mugabe, um ditador decalcado de tantos outros que têm paralisado o desenvolvimento dos africanos, e também um tribunal angolano emitiu recentemente uma providência cautelar para proibir que o navio descarregasse o seu material em Luanda. Portanto, dinamização das instituições civis e independência do poder judicial. É um episódio isolado no meio do subdesenvolvimento e da corrupção generalizada, é certo, mas não deixa de ser uma referência para acções futuras em prol dos direitos humanos no interior dos países africanos. Um episódio que os deve orgulhar e que claramente deveria merecer maior atenção e apoio por parte de toda a comunidade internacional. Pelo menos daquela, enfim, para quem a democracia e os direitos humanos são valores essenciais do desenvolvimento e da vida em sociedade.

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Domingo, Maio 11

ISRAEL, COMO SEMPRE. O Hezbollah voltou a distender o seu músculo no Líbano e ensaiou as movimentações de um golpe de Estado para lembrar que a situação permanece no fio da navalha. A guerra do Verão passado deslocou os terroristas da fronteira norte com Israel e reforçou um governo para conter os islamistas, mas nem Siniora nem a UNIFIL parecem ter capacidade para derrotar o Estado dentro do Estado que é o Hezbollah. Enquanto isso não acontecer, o Irão pré-nuclear mantém uma espantosa faixa de influência no Médio Oriente, do Iraque às margens do mediterrâneo, que pretende usar contra o Ocidente e os sunitas. No limite, como se vê, não hesitará em «iraquizar» o Líbano através de um movimento que recria as estruturas da sociedade iraniana entre a comunidade xiita.

IntegrismoO Partido de Deus é e continuará o principal foco de desestabilização do Líbano e uma ameaça directa para Israel, já que a resolução da ONU não está a ser cumprida e o Hezbollah continua a ser amplamente apoiado com milhões dólares e armamento de guerra. Tal como já aconteceu no passado, basta um atentado do Hezbollah contra a UNIFIL para levar o país ao abismo e alargar uma associação integrista que começa em Teerão, passa pelas ruas de Bagdade e chega à Faixa de Gaza e a Beirute; com o apoio da Síria, naturalmente, caso não se abram canais diplomáticos com Damasco. Israel, como sempre, terá de resolver isoladamente um problema que é de todos nós. Mas iremos lembrar-nos disso quando as ogivas iranianas puderem atingir mais de 2/3 das capitais europeias. Infelizmente, não teremos de esperar muito.

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Sábado, Maio 10

RE: CARICATURAS. Caro Pedro Sales, naturalmente que recorro frequentemente a citações nos meus posts. Mas procuro que elas traduzam o essencial ou pelo menos o sentido geral de uma declaração, não o contrário. O micro-vídeo da intervenção do Pedro Nuno Santos que motivou o meu post é justamente um desses casos, impondo uma leitura tergiversada sobre aquilo que o próprio afirmou no Parlamento e sobre a proposta do PS para a reforma das relações laborais. O documento é equilibrado e insere-se na tradição histórica do direito laboral, entendendo-se que ele deve incidir sobre a protecção da parte mais fraca da relação entre capital e trabalho, mas rompendo com as cristalizações da esquerda conservadora e equilibrando a protecção do trabalhador com a competitividade das empresas.

A referência ao problema dos falsos recibos verdes no Estado é relevante e apresenta uma preocupação que também partilho, mas que em nada se relaciona com o post inicial. Desde logo, afirmar que o PS é per se responsável pela situação dos falsos recibos verdes na administração pública é tão abusivo quanto concluir que o BE ou o PCP devem responder pelos falsos recibos verdes na CGTP. Essa é uma realidade que tem de ser resolvida e não defendo que o sector público deva ter regras diferentes do sector privado neste particular, mas isso é válido numa perspectiva integrada. Porque se existem milhares de portugueses que não têm um vínculo estável na administração pública, sobretudo os mais jovens, existem outros que têm um vínculo vitalício e que bloquearam a mobilidade no interior do sistema.

Resolva-se o problema dos falsos recibos verdes, sim, mas também dos «indespedíveis», dos horários inflexíveis, da inexistência prática de um sistema de avaliação de desempenho com implicações na carreira, entre muitas outras áreas da gestão de recursos humanos que estão paralisadas na administração pública, e talvez exista um maior equilíbrio nas contratações do Estado. Mas repito que o reforço dos mecanismos de combate aos falsos recibos verdes não pode ficar à porta do sector público nem estou à espera de outra posição do MTSS. Aguardemos pela concretização das propostas.

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# por Tiago Barbosa Ribeiro em 10.5.08 | 2 comentários | Subscrever  Subscreva Del.icio.us Bloglines Kinja Fave this blog

GEOGRAFIA IMPERIALISTA. Embora defendendo que todos os cubanos devem poder sair livremente da ilha-prisão castrista, a filha de Raul Castro afirma que o Partido Comunista manterá a ditadura em Cuba enquanto «o país estiver 'cercado' pela proximidade geográfica dos Estados Unidos». O que, convenhamos, é capaz de se manter por mais uns milhões de anos.

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TVI
UMA INSTALAÇÃO. A TVI estreou ontem um novo modelo para os telejornais de sexta-feira. Para além do regresso de Manuela Moura Guedes, esperava-se o comentário político de Vasco Pulido Valente cuja presença foi amplamente anunciada nos últimos dias. Afinal, 1h30 depois do começo do telejornal, Vasco Pulido Valente não apareceu. O «comentário da semana» é na realidade a teatralização performativa de Manuela Moura Guedes sobre textos escritos por Pulido Valente. Uma «instalação», como diriam os pós-modernos que ainda restam. Que coisa confrangedora.

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Sexta-feira, Maio 9

ALDO MORO, 30 ANOS DEPOIS. Estávamos em 1978. A Europa vivia o epílogo dos seus anos de chumbo, os Anni di Piombo em que diversos grupos radicais procuraram desestabilizar a ordem ocidental europeia do Pós-Guerra. Emergindo sobretudo no espectro da extrema-esquerda, movimentos como as RAF/Baader-Meinhof (Rote Armee Fraktion, Fracção do Exército Vermelho) ou as Brigate Rosse (Brigadas Vermelhas) semearam o medo e o terror urbano na Alemanha Ocidental e em Itália. Aldo Moro foi uma das suas vítimas.

Primeiro-ministro durante vários anos (1963-1968 e 1974-1976), intelectual considerado e destacado dirigente da Democracia-Cristã italiana, integrando a sua ala progressista, Aldo Moro notabilizou-se por negociar com Berlinguer o compromisso histórico («Compromesso Storico») para uma aliança com o Partido Comunista em plena Guerra Fria. A 16 de Março de 1978, é raptado pelas Brigadas Vermelhas na Via Fani, em Roma. Aldo Moro dirigia-se para o Parlamento, onde deveria ter lugar um voto de confiança no primeiro-ministro democrata-cristão Giulio Andreotti com o apoio do Partido Comunista, mas o seu rapto abortou o compromisso histórico.

O cativeiro durou quase dois meses: 55 dias depois, um telefonema dos terroristas anuncia que Aldo Moro será encontrado morto no interior de um Renault 4 estacionado na Via Caetani, a meio caminho entre as sedes da Democracia-Cristã e do Partido Comunista. E foi. Hoje, exactamente 30 anos depois, importa lembrar a memória desse assassinato e a forma como a cegueira de um ideal, «do» ideal, pode conduzir aos crimes mais sombrios. Mais abaixo, o registo da última mensagem para a família de Aldo Moro.

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# por Tiago Barbosa Ribeiro em 9.5.08 | 2 comentários | Subscrever  Subscreva Del.icio.us Bloglines Kinja Fave this blog

IncubadoraO ESTADO, O ESTADO, O ESTADO. O Sindicato dos Jogadores quer a intervenção do Estado relativamente aos salários em atraso dos jogadores de futebol profissional. Portanto, o Estado deve financiar a construção de estádios, subsidiar a formação, permitir benefícios fiscais aos clubes e, já agora, pagar também os salários dos jogadores. Mais nada?

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BLOGGER DE BANCADA. Parece que o FC Porto foi penalizado com a perda de 6 pontos por «tentativa de corrupção» em dois jogos de uma época em que foi campeão europeu com José Mourinho. A perda de 6 pontos aplica-se a um campeonato que o Porto lidera com um hiato de 20 pontos em relação ao segundo classificado. Faltam disputar 3. Pela segunda vez numa mesma temporada, o FC Porto pode matematicamente festejar a conquista do campeonato. Obrigado por tudo.

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Quinta-feira, Maio 8

ISRAEL. 60 anos.

60 anos

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# por Tiago Barbosa Ribeiro em 8.5.08 | 1 comentários | Subscrever  Subscreva Del.icio.us Bloglines Kinja Fave this blog

BANDEIRAS ROUBADAS? As eleições internas para o PSD confirmam como tem sido este partido, essencialmente, a desequilibrar ideologicamente o sistema político português. Como? Intervindo nele por osmose. Uma e outra vez, o PSD e os seus dirigentes continuam a aspirar a desempenhar o programa do PS, fomentando o curto-circuito de um partido «social-democrata», que se auto-representa no «centro-direita» e que há mais de uma década é incapaz de apresentar propostas minimamente coerentes em qualquer dessas linhas.

Passos CoelhoO caso recente de Pedro Passos Coelho é particularmente delicioso. O candidato vestiu a simbologia do «liberalismo» e isso tem animado alguma blogosfera situada justamente no campo da direita liberal. Mais: ainda esta semana, em editorial no Público, José Manuel Fernandes escrevia que «[Passos Coelho] pode dar ao partido um rumo mais liberal e mais próximo do seguido pelos partidos de centro-direita europeus». Poderá mesmo? Tirando a privatização das empresas públicas, uma ideia «fracturante» que tem sido defendida pelo PSD e pelo CDS em quase todas as eleições nos últimos 15 anos, ainda não li nada em Pedro Passos Coelho que permita reorganizar a direita portuguesa e refundar o PSD à imagem dos partidos com quem aparentemente se identifica no resto da Europa. Pelo contrário. Na sua famosa entrevista ao Correio da Manhã, Passos Coelho afirma uma série de «nins» e insiste naquela ideia de senso comum que acusa o PS de roubar as bandeiras ao PSD, quando a prática tem demonstrado exactamente o oposto. A tensão programática dos últimos governos do PSD é exemplo disso mesmo, plasmando um partido que reclama uma gravitas de direita e depois não aplica uma política sustentada nesse campo; nem, em concordância, em campo nenhum.

O PS, inversamente, consegue estruturar claramente as suas políticas no campo da social-democracia e intervir na sociedade conjugando essa herança com as transformações do socialismo democrático após a queda do Muro de Berlim. Trata-se de propor, contrariando o conservadorismo da esquerda pós-comunista, a conciliação da flexibilidade económica com a protecção social conquistada ao longo de gerações pelos europeus. Em alternativa à grande «era do colectivismo» que Paul Johnson situa entre 1920 e 1980, acelera-se o movimento iniciado na Internacional Socialista na segunda metade do século XX com o intuito de unificar o socialismo democrático, a social-democracia e o movimento trabalhista anglo-saxónico na opção por uma democracia pluralista e pela liberdade individual num sistema de mercado.

EsquerdaO fim da Guerra Fria e a expansão da globalização reconfiguraram o modelo económico keynesiano de gestão da procura em que assentou a social-democracia europeia do pós-Guerra e isso não se trata de «cedência», como os conservadores de esquerda costumam apontar em longos panfletos contra o reformismo que já têm uma longa história desde Bernstein, mas simplesmente entender que o mundo evolui e que há esquerdas que não querem colocar-lhe uma camisa-de-forças. É aqui que surge a Terceira Via do Labour, o «centrismo progressista» de Bill Clinton, o «socialismo de mercado livre» de Michel Rocard ou o «socialismo partidário da livre oferta» de Felipe González.

Emerge então um paradigma social-democrata em que a democracia política se mantém indissociável de direitos sociais, mas é acompanhada pela ideia liberal que a escolha individual e a livre iniciativa são condições inexoráveis para o exercício daqueles num contexto de degenerescência do Estado-nação como escala e entidade estruturante da acção política. Mas isto, repito, acontece no campo social-democrata, na esquerda da Internacional Socialista que tanto se opõe à esquerda conservadora como à direita política. Em Portugal, espantosamente, falta-nos um desses alicerces. E o PSD não o percebeu. Nem tão pouco Passos Coelho, que ainda há dias se apresentou como candidato a primeiro-ministro definindo-se como (i) social-democrata, (ii) reformista e (iii) liberal. Mas como candidato, afinal, por que partido?

É que podemos fazer um exercício e encontrar os equivalentes funcionais do posicionamento de Passos Coelho noutros países, já que em Portugal essa discussão é difícil. Portanto, uma agenda social-democrata, reformista e liberal? Temo-la no Labour, nos Democratas norte-americanos, no recente Partido Democrático de Itália, no PSOE: na Internacional Socialista. No PS. E essa deveria ser uma agenda contrariada pelo PSD, tal como é disputada pelos 'Tories', pelos Republicanos, pela heteróclita direita italiana ou pelo PP espanhol. Mas não. Em Portugal, aparentemente, 2/3 dos partidos constituídos pretendem o programa do PS e o PS é que anda a roubar bandeiras? Pois sim.

:: Leitura complementar :: «Liberalismo de esquerda». // «A indefinição do PSD» (Pedro Adão e Silva).

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# por Tiago Barbosa Ribeiro em 8.5.08 | 7 comentários | Subscrever  Subscreva Del.icio.us Bloglines Kinja Fave this blog

DEBATE. No âmbito das comemorações dos 60 anos do Estado de Israel, a Comunidade Israelita do Porto promove esta quinta-feira à noite um debate sobre a situação no Médio Oriente.

Debate

A iniciativa terá lugar no Clube Literário do Porto (Rua Nova da Alfândega, n.º 22) a partir das 21h30, com moderação do Filinto Melo.

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Quarta-feira, Maio 7

RICOS, ENFIM. Robert Mugabe conseguiu. A sua revolução nacional-comunista parece finalmente estar a dar bons resultados. O Banco Central do Zimbabwe lançou notas de 100 e 250 milhões de dólares zimbabweanos para conter uma inflação de 165000%. Os cidadãos do país não têm emprego nem comida e morrem em média aos 30 anos, mas estão nominalmente ricos. Parabéns.

Rico
:: Milionário por decreto ::

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