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Quinta-feira, Julho 19

SISTEMA DE SAÚDE NOS EUA. À boleia de Michael Moore, alastra a discussão sobre o sistema de saúde nos EUA. Sobre Moore, e não tendo ainda visto Sicko, mantenho o que escrevi recentemente. Mas a argumentação dos Republicanos e da direita norte-americana é absolutamente delirante.

Na Fox, recentemente, chegaram a sugerir que a existência de um sistema de saúde potencia o terrorismo, porque os recentes atentados falhados em Inglaterra seriam perpetrados por médicos. Fascinante. Todavia, Moore não é melhor ao dirigir-se a Cuba, esse paraíso onde milhares preferem atravessar águas infestadas de tubarões a levar uma vida miserável de repressão, sem esperança nem futuro. A cegueira, como sempre, canibaliza qualquer discussão.

SaúdeDe qualquer forma, sobre um tema onde é sempre possível ler estatísticas de forma tergiversada, há vários elementos que são factuais e impossíveis de negar. E que independentemente dos incómodos causados a algumas correntes, já seriam bons pontos de partida para o debate:

  1. Os EUA são o único país desenvolvido sem cuidados universais de saúde e isso, mais do que uma opção política, é uma falha de qualquer democracia.

  2. Em 2005, cerca de 46.6 milhões de norte-americanos não tinham qualquer tipo de cobertura de um sistema de saúde.

  3. As disparidades do sistema de saúde norte-americano por classe e minorias étnicas estão amplamente documentadas. A título de exemplo, as classes mais baixas têm maior incidência de doenças crónicas e taxas de mortalidade mais elevadas, incluindo mortalidade infantil. Os negros e os hispânicos têm o dobro da probabilidade dos brancos norte-americanos de desenvolver diabetes.

  4. Obviamente, tudo isto remete para uma desigualdade estrutural do sistema de saúde por via de outras desigualdades sociais que se reproduzem e que não atingem de forma homogénea toda a população, sendo algo que o Estado não tem conseguido resolver e o mercado muito menos. A este propósito recomendo uma edição de 2004 da American Public Health Association (APHA), intitulada Eliminating Health Disparities.

  5. O acesso a medicamentos é outra das disparidades da saúde nos EUA. Os preços têm subido constantemente nos últimos anos e muitos medicamentos não têm qualquer comparticipação do Estado nem dos seguros, independentemente dos rendimentos. Veja-se este documento da OCDE para perceber as contradições do sistema.
Estes são apenas alguns elementos soltos que facilmente se encontram em qualquer pesquisa preliminar, mas procurarei voltar ao tema.

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# por Tiago Barbosa Ribeiro em 19.7.07 | Subscrever  Subscreva Del.icio.us Bloglines Kinja Fave this blog