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Quarta-feira, Dezembro 26

A ESCOLHA DO MERCADO. Não tenho qualquer dúvida que o BCP é um dos mais importantes projectos privados no Portugal pós-25 de Abril. Com o apoio inicial de Mário Soares, o banco liderado por Jardim Gonçalves conseguiu distinguir-se num sector onde o nosso país ocupa inquestionavelmente um dos lugares cimeiros da Europa, oferecendo um conjunto de serviços que são raros noutros países.

Escolha, mas poucoFeito este preâmbulo, chegamos à sua actual situação. Mais do que a nebulosa que envolve as operações dos seus administradores ou do who is who em todo este processo, interessa-me sobretudo constatar que aqueles que sempre têm afirmado o primado da escolha do mercado no sector privado são os primeiros a contestá-la. E não me estou a referir propriamente a Luís Filipe Menezes, como se compreende, mas a vários bloggers nacionais.

Podem dar as voltas que entenderem, mas é mesmo isso que se passa. Depois da crítica às «causas culturais» e da negação da liberdade individual que a sua recusa comporta, vislumbra-se cada vez menos liberalismo na direita portuguesa que aí reclama as suas coordenadas ideológicas. O problema não está na hipotética orientação política da nova administração do BCP, antevendo como que uma punção na assepsia do económico, porque o banco sempre teve uma relação política e religiosa com várias organizações da sociedade portuguesa, chegando mesmo a financiar a campanha de movimentos do «Não» no referendo à IVG.

Para os liberais portugueses, percebe-se, o problema é outro e relaciona-se com o desagrado profundo com a escolha dos accionistas. E vale tudo para os criticar, com José Manuel Fernandes a agitar até a «renacionalização» da banca em editorial do Público. Tudo isto é sintomático e de ora em diante já se sabe qual é a premissa deste peculiar liberalismo: o mercado é sempre soberano para decidir, desde que decida invariavelmente a favor dos nossos. Está resolvido?

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# por Tiago Barbosa Ribeiro em 26.12.07 | Subscrever  Subscreva Del.icio.us Bloglines Kinja Fave this blog