Quarta-feira, Maio 14
DESAFIOS ALGO DESAFINADOS. O Vasco Campilho exaltou-se com este meu post, mas não era caso para tanto. A campanha de Pedro Passos Coelho, enquanto tal, é o que menos me interessa. Na realidade, o que escrevi insere-se numa problematização mais ampla sobre o programa do PSD e a sua incapacidade para se afirmar no campo da direita liberal, que prega mas não pratica. Porque Passos Coelho, que tem mobilizado esse ideário e daí a minha referência inicial, mantém claramente a habitual indefinição ideológica do PSD e em relação a isso o Vasco Campilho não conseguiu obviamente responder.
Direita liberal? Passos Coelho afirma-se como social-democrata, reformista e liberal, o que o coloca bem mais próximo do amplo campo do socialismo democrático do que do liberalismo de direita. E nem pergunto sobre as funções sociais que o próprio Passos Coelho reserva ao Estado (a saber: saúde, educação, segurança social e cultura), porque o Vasco Campilho resume o seu candidato à mitologia da «inércia vs. movimento, passado vs. futuro». Belo debate, sem dúvida. Em relação à incapacidade de Passos Coelho afirmar um programa liberal que distinga uma marca de absoluta ruptura em relação ao PS e reorganize a direita portuguesa, tornando a disputa partidária com a social-democracia/socialista mais clara, isso é que não importa discutir.
Aliás, o Vasco acredita mesmo que o PS tem «uma memória republicana, reviralhista e PRECista», embora tenha sido justamente o PS a lutar por uma democracia liberal antes e depois de 1974. Os seus dirigentes tiveram um papel de relevo na luta contra uma ditadura e impediram outra em 1975. Depois isso, entre outras coisas menores, o PS abriu a Portugal a modernidade europeia. E já mais recentemente teve a oportunidade de arrumar o movimento deixado pelos últimos governos do PSD no país, no caso rumo à paralisia económica e ao aumento do défice público. Mas pronto. O Vasco está em campanha e compreende-se o registo épico desse futuro que, por acaso, até já tem algum passado.

«O futuro é agora», slogan da JS nas legislativas de 2005
Etiquetas: Liberalismo, PS, PSD, Social-democracia, Socialismo
# por Tiago Barbosa Ribeiro em 14.5.08
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