Domingo, Maio 11
ISRAEL, COMO SEMPRE. O Hezbollah voltou a distender o seu músculo no Líbano e ensaiou as movimentações de um golpe de Estado para lembrar que a situação permanece no fio da navalha. A guerra do Verão passado deslocou os terroristas da fronteira norte com Israel e reforçou um governo para conter os islamistas, mas nem Siniora nem a UNIFIL parecem ter capacidade para derrotar o Estado dentro do Estado que é o Hezbollah. Enquanto isso não acontecer, o Irão pré-nuclear mantém uma espantosa faixa de influência no Médio Oriente, do Iraque às margens do mediterrâneo, que pretende usar contra o Ocidente e os sunitas. No limite, como se vê, não hesitará em «iraquizar» o Líbano através de um movimento que recria as estruturas da sociedade iraniana entre a comunidade xiita.
O Partido de Deus é e continuará o principal foco de desestabilização do Líbano e uma ameaça directa para Israel, já que a resolução da ONU não está a ser cumprida e o Hezbollah continua a ser amplamente apoiado com milhões dólares e armamento de guerra. Tal como já aconteceu no passado, basta um atentado do Hezbollah contra a UNIFIL para levar o país ao abismo e alargar uma associação integrista que começa em Teerão, passa pelas ruas de Bagdade e chega à Faixa de Gaza e a Beirute; com o apoio da Síria, naturalmente, caso não se abram canais diplomáticos com Damasco. Israel, como sempre, terá de resolver isoladamente um problema que é de todos nós. Mas iremos lembrar-nos disso quando as ogivas iranianas puderem atingir mais de 2/3 das capitais europeias. Infelizmente, não teremos de esperar muito.Etiquetas: Hezbollah, Irão, Israel, Líbano, Médio Oriente
# por Tiago Barbosa Ribeiro em 11.5.08
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