Sábado, Maio 3
LIBERALISMO DE ESQUERDA. A propósito do último Eurobarómetro que coloca o PS no limiar da maioria absoluta e a soma da direita com o resultado da Constituinte, Rui Oliveira e Costa foi à SIC dizer algumas coisas interessantes. Sobre a discussão liberal no PSD e no CDS, por exemplo, lembrou que a ideia de uma liberalismo de direita centrado no eixo Lisboa-Cascais ou no Porto é uma absoluta ficção. Na realidade, o voto nos partidos da direita está bem mais concentrado no que resta do mundo rural, dos pensionistas e da influência do habitualmente da Igreja Católica, e bem menos nos centros de debate sobre as virtudes do conservadorismo ou do liberalismo.
Isso não retira interesse à possibilidade de reorganização do campo da direita portuguesa, que será uma inevitabilidade nos próximos anos, mas deve permitir que o campo liberal encontre respostas no PS. Seguindo aquilo que tem sido a transformação do socialismo democrático à escala europeia, trata-se de incorporar um programa liberal naquilo que ele oferece de libertação de recursos para a economia e para a sociedade, não abdicando simultaneamente de entender o Estado como actor social, alargando o leque da «regulação» do Estado minimalista da direita liberal a um Estado regulador para além das leis antitrust que não abdique de criar as condições para o desenvolvimento da ética do mérito e da iniciativa individual, separando intervenção social de intervencionismo público.Isto é, uma esquerda que se oriente para promoção de uma igualdade à partida (como é recusado pela direita liberal e pela esquerda marxista/pós-marxista), permitindo que as escolhas dos agentes sejam efectivamente feitas, e não à chegada (como é aceite pela esquerda marxista/pós-marxista e pela direita liberal nos valores culturais, por exemplo), procurando colmatar a todo o momento o resultado de más escolhas individuais que normalmente passam erradamente por imposições colectivas. É aquele enfoque nas condições de partida, envolvendo a intervenção do Estado na saúde e na educação (entre outras áreas) no interior de uma sociedade promotora dos valores liberais, que permitirá fortalecer a social-democracia nos próximos anos. Trata-se, enfim, de começar não só a falar de liberalismo mas também, ou sobretudo, das diferenças entre o liberalismo de esquerda e o liberalismo de direita.
Etiquetas: Direita, Esquerda, Liberalismo, Portugal
# por Tiago Barbosa Ribeiro em 3.5.08
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